Páscoa: um convite à vida. Entrevista com o Diretor Padre Tarcisio Sebastião Moreira

Na Páscoa, somos chamados à vida para sermos instrumentos de salvação e de luz na vida pessoas com as quais convivemos. Não podemos ser pedra de tropeço, motivo de escândalos, instrumentos de pecado na vida das pessoas.

É isso que Jesus espera de nós, como seus seguidores!

(Pe. Tarcísio Moreira)

Há sempre algumas dúvidas que nos perseguem, e a fim de saná-las o Pe. Tarcísio Moreira, diretor geral do Colégio Arquidiocesano – Unidades Ouro Preto e Cônego Paulo Dilascio, nos orienta ao responder  questões relevantes ao nosso conhecimento do catolicismo.

1 – O que a Quaresma representa para os fiéis e para a Igreja Católica?

R: Quaresma, à luz dos Evangelhos, corresponde aos 40 dias e 40 noites que Jesus passou no deserto para jejuar e orar; se preparando para entrar em Jerusalém, concretizar a missão que o Pai lhe havia confiado e resgatar sua criação do caminho da morte por meio de seu sacrifício na cruz. Hoje, este tempo litúrgico significa para os católicos um tempo penitencial, no qual nos preparamos para celebrar a Páscoa, ou seja, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, na Semana Santa.

2 – Durante a Quaresma, a Igreja orienta os fiéis a não ingerir carne vermelha, explique o porquê disso?

R: A Igreja orienta a abstenção de carne somente na Quarta Feira de Cinzas e na Sexta feira da Paixão. O Jejum e a abstinência de carne, em primeiro lugar, simboliza o desapego das coisas do mundo e a busca de uma elevação espiritual. Devemos morrer para o mundo e ressuscitar para Deus, ou seja, abrir nosso coração para que nossa comunhão com Deus seja maior do que nosso apego às coisas do mundo.

3 – O que é a Semana Santa e o que Ela representa para a Igreja Católica?

R: A Semana Santa é quando, de forma solene, fazemos memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, desde sua entrada triunfal em Jerusalém (Domingo de Ramos), sua prisão, condenação, crucifixão, morte e ressurreição (Domingo da Páscoa). É a Festa da Páscoa para a Igreja Católica, pois celebramos a “passagem” que Jesus realiza: da morte para a vida. Nossa Páscoa é atualizada através deste ato de Jesus, quando nos dispomos a também passarmos do pecado para a graça, do ódio para o amor, da violência para a paz, da indiferença para a fraternidade, do individualismo para a solidariedade.

 4 – O Domingo de Ramos faz parte das celebrações da Semana Santa? Qual é o seu significado?

R: Os Evangelhos narram a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; o povo o aclamava: “Hosana ao filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor” e iam estendendo seus mantos e ramos no chão para que Jesus pudesse passar. No Domingo de Ramos a Igreja celebra esta entrada triunfal. O povo queria aclamá-lo Rei, sua fama já se espalhara por toda a região, mas Jesus tinha bem claro em sua mente qual era a sua missão e onde estaria o seu Reino.

5 – O que é o Tríduo Pascal?

R: Tríduo Pascal corresponde aos três dias que antecedem o Domingo da Páscoa, trata-se da Quinta Feira Santa, na qual celebramos a Última Ceia de Jesus com seus Apóstolos; a Sexta Feira da Paixão, dia em que celebramos a Crucifixão de Jesus; e o Sábado Santo com a Vigília Pascal, esperança de ressurreição.

6 – Sabemos que na Semana Santa são celebrados inúmeros acontecimentos, o que especificamente é celebrado na 5ª feira Santa?

R: Na Quinta Feira Santa, celebramos a Última Ceia de Jesus com seus Discípulos, é nesta ceia que Jesus institui a Sagrada Eucaristia, profetizando a sua morte dizendo: “Tomai e comei, isto é o meu corpo que será entregue por vós” (…) “Tomai e Bebei, este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”. Nesta ceia Jesus institui, também, o sacerdócio como serviço à comunidade dos fiéis, quando se cinge com uma toalha, toma uma bacia e um jarro com água e lava os pés dos seus discípulos. Ele dá o exemplo de serviço e de humildade fazendo-se servidor de todos. Este é o caminho que a igreja deve seguir.

7 – O que representa a Missa da Ceia do Senhor, e em quê se difere das demais Missas Católicas?

R: A diferença está no fato de que a Missa da Ceia do Senhor inclui-se o lava pés, que foi o exemplo de serviço deixado pelo mestre. Nas demais missas católicas esse gesto foi abolido, porém o seu significado permanece: é preciso ser como Jesus: “Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar minha vida por todos”. A missa é memória, é ceia, é sacrifício, pois nela o centro é Jesus Cristo. Ele é a oferenda e o ofertante. Dessa forma, o Padre age na pessoa de Jesus, ou seja, empresta sua voz, seu corpo, seu ser para que através de nós, como instrumentos, Ele continue a agir no meio do mundo.

8 – O que comemoramos na 6ª feira Santa?

R: A Sexta Feira Santa é dia de fazer memória à Paixão de Jesus. Celebramos a Sua crucifixão, a adoração da cruz e o seu descendimento, onde Jesus, já desfalecido, é colocado nos braços de sua mãe Maria.

9 – O que é o Sábado Santo e o quê ele representa para o catolicismo?

R: Para nós Católicos, o Sábado Santo é um dia de Vigília, um dia de expectativa, um dia de esperança, pois Jesus havia instruído seus discípulos que era necessário que Ele passasse por estes sofrimentos, mas que no terceiro dia o Pai o ressuscitaria. Portanto, a Vigília é um tempo de oração, em que aguardamos “o dia que o Senhor fez para nós”, ou seja o dia da Ressurreição, o dia da vitória da vida sobre a morte.

10 – Qual é o significado da Vigília Pascal, tão cultivada entre os católicos? E o quê acontece durante a mesma?

R: Nesta celebração temos muitos gestos litúrgicos de rico simbolismo – primeiro a benção do fogo novo: Cristo ressuscitado é a Luz do mundo; segundo a benção da água: Ela é fonte de vida e, pelo batismo, nos insere nesta vida nova em Cristo; assim, proclamamos o Cristo como centro da nossa vida.

11 – Famoso entre os milhões de católicos do mundo, o quê o Domingo de Páscoa representa dentre as celebrações pascais?

R: A Palavra Páscoa, significa “Passagem”, ou seja, passagem da morte para vida, ressurreição. Jesus vence a morte e renova a vida; é o dia que o Senhor fez para nós. Nós não fomos chamados para a morte, para a violência, para a dor, para a guerra; Deus nos chamou à vida, para sermos instrumentos da paz, da concórdia e da vida; para sermos sinais da sua presença no meio do mundo.

Padre Tarcisio