UM CONVITE À CONVERSÃO…

No 3º domingo da Quaresma, somos convidados a pensar nos frutos que produzimos. Nossa vida alimenta a esperança do nosso próximo? Correspondemos aos cuidados de Deus, que nos cerca de talentos e de bens, partilhando-os com generosidade e desapego?

Para nos proporcionar esta reflexão, Jesus ilustra sua palavra com a parábola da Figueira:

“Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha; e indo procurar fruto nela, e não o achou. Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente? Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que eu cave em derredor, e lhe deite estrume; e se no futuro der fruto, bem; mas, se não, cortá-la-ás.” (Lucas 13:6-9)

 A PARÁBOLA DA FIGUEIRA é um apelo à conversão. Fala de um Deus paciente, que envia seu Filho para que as pessoas deixem-se transformar e produzir frutos.

Às vezes dizemos: “Eu sou uma pessoa boa, não prejudico ninguém, rezo em casa.” Deus espera mais de nós!

 A figueira do Evangelho levava esta vida, era até uma árvore bonita, mas não produzia figos (frutos). Era estéril. Muitas vezes nos tornamos estéreis dentro da nossa própria casa, do nosso trabalho, da nossa comunidade.

Somos todos figueiras. E assim como aquele que planta espera que sua plantação frutifique, Deus espera de nós frutos de bondade, de mansidão, de compromisso, de amor! Não estamos no mundo por acaso, todos temos uma missão.  Mas, será que estamos cumprindo nossa missão no mundo? Estamos produzindo os frutos que Deus espera que produzamos?

Estar abertos à ação de Deus, porém, depende somente de nós. Converter-se é tomar consciência dos próprios limites, em primeiro lugar. E, na prática, mudar de mentalidade e de vida. Porém, não basta mudar sem objetivos, devemos mudar segundo o plano de Deus, que nos cria para relações pautadas na humanização, no amor, na caridade e na solidariedade.

 A parábola contada por Jesus aponta, ainda, para a paciência de Deus que espera e que cerca de cuidados a figueira que não produz frutos. Ele “afofa a terra em volta dela”, ou seja, oferece-nos possibilidades. Coloca “bastante adubo”, quer dizer, incentiva-nos para que possamos suprir as deficiências da nossa alma, do nosso coração. Deus é representado neste homem que espera frutos de sua figueira. Ele perdoa toda culpa, é paciente, cerca seu povo com carinho e atenção (Salmo Responsorial). A bondade de Deus é motivo mais do que suficiente para mudarmos de atitude.

Jesus aproveita o fato para nos alertar sobre a urgência da nossa conversão, que se inicia quando mudamos a nossa mentalidade em relação a Deus, ele não é Aquele que abençoa dando saúde e bens materiais a quem lhe obedece, e que faz cair desgraças na cabeça de quem não O aceita. Ele quer que concentremos nossa atenção no presente, percebendo a cada minuto a Sua vontade, fazendo nossa vida acontecer, bem como Jesus veio nos ensinar: que a partir de pequenos gestos de amor e de solidariedade em nosso quotidiano; porque se deixarmos esta vida passar em branco, sem nos darmos conta de que temos uma missão a cumprir, frutificando, iremos nos surpreender ao final, porque seremos semelhantes a uma árvore seca e improdutiva, justo na hora da colheita.

 Nesta vida Deus nos fertiliza todos os dias com a sua graça dando-nos todas as condições para produzirmos bons frutos. Só depende de nós!