A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS?

O Evangelho de domingo trouxe-nos a reflexão sobre o episódio da transfiguração de Jesus. E a pergunta que nos faz refletir é: o que há de tão importante na transfiguração de Jesus?

“A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Mestre ‘começou a mostrar a seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém e sofresse… que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia’ (Mt 16,21). Pedro rechaça este anúncio, os demais também não o compreendem. É neste contexto que se situa o episódio misterioso da Transfiguração de Jesus, sobre um monte elevado, diante de três testemunhas escolhidas por ele: Pedro, Tiago e João. O rosto e as vestes de Jesus tornam-se fulgurantes de luz; Moisés e Elias aparecem, ‘falavam de sua partida que iria se consumar em Jerusalém’ (Lc 9,31). Uma nuvem os cobre e uma voz do céu diz: ‘Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o’ (Lc 9,35).”

Na Transfiguração, a Trindade inteira se manifesta: o Pai, na voz; o Filho, no homem; o Espírito, na nuvem clara. E Jesus mostra sua glória divina, confirmando, assim, a confissão de Pedro. Mostra, também, que para “entrar em sua glória” (Lc 24,26), deve-se passar pela Cruz em Jerusalém. Moisés e Elias haviam visto a glória de Deus sobre a Montanha; a Lei e os profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias. Fica claro que a Paixão de Jesus é, sem dúvida, a vontade do Pai: o Filho age como servo de Deus.

A primeira e maior lição que devemos tirar dessa passagem é a divina intimidade de Jesus com o Pai. Ele é a plenitude da Lei e a concretização de tudo o que os Profetas anunciaram. Só um Homem-Deus poderia fazer o que Ele fez, e seu gesto serviu para que os 3 discípulos deixassem para trás qualquer dúvida sobre a divindade de Jesus. E, mesmo assim, Jesus ainda pediu que eles guardassem segredo sobre o que eles viram, até que acontecesse a ressurreição.

E nós? Será que Jesus precisa se transfigurar na nossa frente para que acreditemos NELE? Será que estamos esperando algo extraordinário acontecer, para decidirmos seguir Jesus incondicionalmente? Ele não nos engana dizendo que vai ser fácil… “Quem quiser me seguir, tome a sua cruz e me acompanhe.” Não é fácil… Mas o fardo se torna leve, porque Ele nos ajuda a carregar.

Neste mundo pós-moderno, marcado por sinais de morte, violência e dor, cada vez mais secularizado e distante da fé, percebemos tantas realidades e situações que precisam ser transfiguradas e modificadas na luz do Espírito de Deus e na força do Evangelho. Jesus revela na sua transfiguração que temos presente em nós o Espírito de Deus, que recebemos no batismo. Orar, ser solidário, viver a mensagem de Jesus nos distanciando do pecado e das situações de morte no mundo é caminhar neste processo de transfiguração, santificando a nós mesmos e àqueles que nos rodeiam. Com essa conduta, de coração aberto à novidade de Deus, saberemos reconhecer a presença de Jesus nas pessoas que se deixam transfigurar. É uma experiência de encontro com Aquele que pode fazer de nós, novas criaturas.