FÓRUM DA FAMÍLIA – “CYBERBULLING, BULLYING E MÍDIAS SOCIAIS.”

Todo mundo que convive com crianças e jovens sabe como eles são capazes de praticar pequenas e grandes perversões. Debocham uns dos outros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas “imperfeições” – e não perdoam nada.

Na escola, isso é bastante comum, visto que o número de horas que elas ali ficam é considerável – em torno de  05 a mais horas por dia . Implicância, discriminação e agressões verbais e físicas são muito mais frequentes do que o desejado. Esse comportamento não é novo, mas a maneira como pesquisadores, médicos, professores e famílias o encaram mudou significativamente.  Há cerca de 15 anos, essas provocações passaram a ser vistas como uma forma de violência e ganharam o seguinte nome: bullying (palavra do inglês que pode ser traduzida como “intimidar” ou “amedrontar”). Sua principal característica é que a agressão (física, moral ou material) é sempre intencional e repetida várias vezes sem uma motivação específica. Mais recentemente, a tecnologia deu nova cara ao problema. E-mails ameaçadores, mensagens negativas ou que denigrem a imagem de uma pessoa, entidade ou instituição em sites de relacionamento, torpedos com fotos e textos constrangedores para a vítima foram nomeados de cyberbullying.

O número de casos de violência desse tipo vem aumentando mais e mais e, infelizmente,  as consequências são graves, tanto no que diz respeito às questões psicológicas e afetivas, como por exemplo,  suicídios, depressão  e os mais variados tipos de transtornos emocionais, como também com relação às questões relativas às leis penais.

O Colégio Arquidiocesano Unidade Cônego Paulo Dilascio, levando em consideração as sugestões dos pais sobre temas a serem discutidos nos Fóruns da Família, convidou a Dra Giselle Rocha Coutinho, graduada pela Faculdade de Direito Conselheiro Lafaiete (2009) e  atualmente, Procuradora Adjunta Municipal da Prefeitura Municipal de Mariana para proferir uma palestra com o objetivo de  conceituar, esclarecer dúvidas e sensibilizar as famílias sobre o tema: “ Cyberbulling, bullying e mídias sociais.” Na ocasião foram apresentados vídeos explicativos, gráficos, relato de experiência  e  vídeos de depoimentos de profissionais da área. Foram feitas várias perguntas, que prontamente ficaram esclarecidas e o pedido à escola que também ofereça aos alunos um momento de reflexão tão importante como esse.

 Cientes de nossos compromissos, responsabilidades e importância da situação, o evento já foi inserido na agenda e acontecerá no início do próximo semestre.

Nesta reportagem, você vai entender os três motivos que tornam o cyberbullying ainda mais cruel que o bullying tradicional.

– No espaço virtual, os xingamentos e as provocações estão permanentemente atormentando as vítimas. Antes, o constrangimento ficava restrito aos momentos de convívio dentro da escola. Agora é o tempo todo.

– Os jovens utilizam cada vez mais ferramentas de internet e de troca de mensagens via celular – e muitas vezes se expõem mais do que devem.

– A tecnologia permite que, em alguns casos, seja muito difícil identificar o(s) agressor(es), o que aumenta a sensação de impotência.

Raissa*, 13 anos, conta que colegas de classe criaram uma comunidade no Orkut (rede social criada para compartilhar gostos e experiências com outras pessoas) em que comparam fotos suas com as de mulheres feias. Tudo por causa de seu corte de cabelo. “Eu me senti horrorosa e rezei para que meu cabelo crescesse depressa.”

Esse exemplo mostra como a tecnologia permite que a agressão se repita indefinidamente (veja as ilustrações ao longo da reportagem). A mensagem maldosa pode ser encaminhada por e-mail para várias pessoas ao mesmo tempo e uma foto publicada na internet acaba sendo vista por dezenas ou centenas de pessoas, algumas das quais nem conhecem a vítima. “O grupo de agressores passa a ter muito mais poder com essa ampliação do público”, destaca Aramis Lopes, especialista em bullying e cyberbullying e presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ele chama a atenção para o fato de que há sempre três personagens fundamentais nesse tipo de violência: o agressor, a vítima e a plateia. Além disso, de acordo com Cléo Fante, especialista em violência escolar, muitos efeitos são semelhantes para quem ataca e é atacado: déficit de atenção, falta de concentração e desmotivação para os estudos (leia mais na próxima página).

Esse tormento permanente que a internet provoca faz com que a criança ou o adolescente humilhados não se sintam mais seguros em lugar algum, em momento algum. Na comparação com o bullying tradicional, bastava sair da escola e estar com os amigos de verdade para se sentir seguro. Agora, com sua intimidade invadida, todos podem ver os xingamentos e não existe fim de semana ou férias. “O espaço do medo é ilimitado”, diz Maria Tereza Maldonado, psicoterapeuta e autora de A Face Oculta, que discute as implicações desse tipo de violência. Pesquisa feita este ano pela organização não governamental Plan com 5 mil estudantes brasileiros de 10 a 14 anos aponta que 17% já foram vítimas de cyberbullying no mínimo uma vez. Desses, 13% foram insultados pelo celular e os 87% restantes por textos e imagens enviados por e-mail ou via sites de relacionamento.

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